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31 de março de 2018

♥Reflexão... ♥

Do livro:



Aproveito para desejar uma alegre, abençoada e muito feliz PÁSCOA!

abração,chica

25 de março de 2018

  ♥ Sons♥
 



Nos meus
sentidos flutuo
docemente perdido
num sonho errante
silentemente
ouço vagarosamente
a fragrância
do silêncio
decepado num rugido
absorto do vento
que placidamente
adormece
num profundo aflorar
do eterno viver .


Emanuel Moura





17 de março de 2018

  ♥ Etiquetas...♥
 


Em minha calça está grudado um nome que não é meu
de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.

Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.

Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.

Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso,
abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.

Estou, estou na moda.
É duro andar na moda,
ainda que a moda seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.

Com que inocência demito-me de ser eu
que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.

Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro, em língua nacional ou em qualquer língua (qualquer, principalmente).
E nisto me comparo, tiro glória de minha anulação.

Não sou - vê lá - anúncio contratado.

Eu é que mimosamente pago para anunciar
para vender em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta global
no corpo que desiste de ser veste e sandália de uma essência tão viva
independente, que moda ou suborno algum a compromete.

Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam
e cada gesto, cada olhar cada vinco da roupa
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.

Por me ostentar assim,
tão orgulhoso de ser não eu,
mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem

Já não me convém o título de homem.

Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.


 Carlos Drummond de Andrade



* Vi na Emília Pinto li, guardei e compartilho... Adorei! Faz pensar!

10 de março de 2018

  ♥ Caminhos e caminhadas...♥
 

Wellington Maia.

Todos os dias o caminho é o mesmo.

E durante esse trajeto percebo que poucas coisas mudam.

Uma nova fachada, uma nova construção, algumas pessoas diferentes no ponto de ônibus... mas oque não muda e sempre me chamou a atenção é a grama plantada em faixas diagonais na calçada do vizinho da esquina, sempre verdinha e bem aparada.

Nesse trajeto, cumprimento algumas pessoas . Aceno com a mão direita, balanço a cabeça e; Bom Dia!

Faço o mesmo caminho para chegar ao mesmo lugar, meu ofício me aguarda.

Em um desses dias a bateria do carro descarregou. Fiz a pé o mesmo caminho como se estivesse de carro, até o ponto de ônibus na Praça. O bom dia foi diferente, (teve até um, tudo bem?), percebi detalhes nas casas da vizinhança e me dei conta que em muito meu bairro havia mudado. As crianças que vão para a escola são maiores que pensei. E aquelas pessoas que pareciam ser estranhas eram meus vizinhos da rua abaixo.

Ao retornar, a vizinha da esquina estava lavando a grama com água e sabão, provavelmente reutilizada da máquina de lavar, e me questionei como pode uma grama ficar assim  tão bonita com sabão?

_ Boa noite vizinha! Lavando a grama?

_ Boa noite vizinho! É, tenho que lavar, essa grama sintética fica feia quando acumula poeira...

Com um sorriso sintético e sem graça respondi:

_ Verdade...

Puts!!! A grama verdinha do vizinho é sintética!!!!?

Mantendo o trajeto e mudando a forma de caminhar, novas paisagens surgiram, várias dúvidas se foram, algumas se confirmaram e uma certeza se foi, aquilo que não mudou é sintético.




3 de março de 2018

  ♥ Mensagem ...♥
 



"O rio passa ao lado de uma árvore, cumprimenta-a, alimenta-a, dá-lhe água...
e vai em frente, dançando. Ele não se prende à árvore.
A árvore deixa cair suas flores sobre o rio em profunda gratidão,
e o rio segue em frente. O vento chega, dança ao redor da árvore e segue em frente.
E a árvore empresta o seu perfume ao vento... Se a humanidade crescesse,
amadurecesse, essa seria a maneira de amar."

Osho

* Ganhei por email da Alzira