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14 de outubro de 2017

  ♥ Mudanças...♥
 


As marés mudam, as ondas chegam ora baixas, ora altas...

Mas ele lá está...

Sejamos fortes  e saibamos nos manter firmes  nas marés da vida...


(((o)))o(((o)))o(((o)))

E dentro de alguns dias, vamos ver o mar de perto...  Voltamos aqui nesse blog dia 05 de novembro, domingo!

INTÉ!  bjs, chica

8 de outubro de 2017

  ♥ CAMINHO CERTO OU ERRADO?♥
 

imagem daqui


À procura do caminho certo,
na vida muito andei,
muitas estradas conheci,
muitos desvios tomei,
alguns eram puro engano,
iludida me embrenhava,
outros ciladas eram,
para meu passo atrasar,
no caminho errado estar acreditava,
mas para trocá-lo demorava,
ia caminhando a oportunidade esperando,
os desvios me levavam a caminhos,
tão velhos e já percorridos,
assim as estradas se alongaram,
ao caminho certo não chegava,
um dia para trás olhando,
os pés há muito sangrando,
com feridas que não mais doíam,
o cansaço não mais sentia,
o caminho certo não mais importando,
pela estrada percorrida fui retornando,
agora devagar caminhava,
a paisagem observava,
a todo instante parava,
as diferenças da estrada acertava,
a cada ajuste o bem estar me invadia,
então sorrindo me peguei,
do infinito uma voz soou:

Não existe caminho certo,
nem caminho errado,
a forma de percorrê-lo,
é que faz a diferença.

1 de outubro de 2017

  ♥ Uma leitura que faz bem à alma! ♥




O Armando é um desses vigilantes anônimos que, de carinho em riste, não deixam passar nada que diga respeito ao objeto do seu afeto, ainda que silencioso e anônimo.

Não o conhecia até que ele anunciou, por e-mail, que perguntara ao seu clínico se ele achava razoável marcar uma horinha comigo para debater algumas coisas que o angustiavam na plenitude da sua lucidez, aos 92 anos de uma vida bem vivida.

Curioso com a iniciativa, combinei um encontro no hospital e, na hora aprazada, lá estava ele, elegantemente vestido, querendo pagar antecipadamente a consulta.


Bastante trêmulo por uma doença neurológica e levemente ofegante pelo enfisema, pediu um tempo para se recompor, sempre preocupado que estivesse ocupando um tempo que ele fantasiava ser muito precioso, sem imaginar o quanto eu valorizaria o que estava por vir.

Descreveu suas limitações decorrentes da perda da sensibilidade fina, que o impedia de escrever ou digitar, e que fazia do barbear uma operação de risco.

E, então, desfiou um rosário de frases de crônicas que escrevi entre 2012 e 2017, em que reiteradamente tratei do envelhecer com dignidade ou da diferença entre viver e simplesmente durar, e que ele então invocava para construir a argumentação de um pedido evidente, mas nunca explicitado: a Medicina que tinha sido tão pródiga em recursos para fazê-lo chegar a essa idade, tinha agora que ajudá-lo a morrer.

Para reforçar seu pedido, ainda comentou pesaroso: "O senhor não imagina o quanto me incomoda perceber que sou um fardo para minha família. Se ao menos tivesse ficado caduco, eu não sofreria tanto!".

Não resisti lhe perguntar por que escolhera a mim, entre tantos médicos, para essas ponderações, e ele foi duma simpatia comovedora: "Acho que, de tanto concordar com as suas ideias, passei a acreditar que o senhor escrevia pra mim!".

"Acontece, seu Armando, que o velho inútil que descrevi naquelas crônicas não combina em nada com a sua cabeça lúcida e inteligente, e como o senhor não vai morrer antes de morrer, nós só precisamos dar uma utilidade ao seu durar.

A propósito, eu tive um avô maravilhoso, que me estimulava muito e me distinguia com um afeto que marcou minha vida. Passados já tantos anos, ainda sinto muito a falta dele. Então, queria lhe perguntar: o senhor se importaria de ser meu avô?".

Com um choro bem encaminhado, interrompi: "Mas nem pense em ser um avô decorativo, porque temos muitas coisas para fazer juntos. E a primeira tarefa será um relatório quinzenal das suas ideias, porque eu vou precisar muito delas".

Secando as lágrimas com as costas da mão trêmula, ele se antecipou: "Então, vou ter de conseguir alguém que digite pra mim!".

Quando já bem chorados, nos despedimos, e ele reconheceu a transformação: "Obrigado, doutor, mas que vergonha!
Vim aqui só para me queixar da vida, e nem tinha percebido que ela ainda me queria!".

J.J.CAMARGO
* Adoro esse Dr Camargo e isso sem o conhecer pessoalmente.  Mas me delicio com suas crônicas baseadas na vida e ontem li essa no nosso jornal ZERO HORA e não resisti.  Leiam quando puderem se deliciar com cada palavra.  Há ensinamentos valiosos nas palavras !

Espero gostem como eu!

Lindo domingo e semana,
chica